29.10.2008

O Sonho de José, 2003/2004 | Acrylic on canvas, 250 x 250 cm
Assista a entrevista com a artista
Watch to the interview with the artist.

O Sonho de José, 2003/2004 | Acrylic on canvas, 250 x 250 cm
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TRIVIA – PARTE 1
Gilberto Mariotti entrevista Erika Verzutti
GM: Você estava me contando sobre o tema da exposição, “sobre amor”.
É como uma sobrevida?
EV: Sobre o “sobre”: em 1999 a tese do Tiago (Carneiro da Cunha), “For Real”, foi uma revelação definitiva. Ele defendia que não dá para conviver com “tema” como força condutora do trabalho, e que a arte caminha através da linguagem e da graciosidade. Para mim foi um entendimento bombástico de tão óbvio. Desde então os assuntos ou figuras que aparecem no trabalho são um presente a mais, como letra de música. O Tiago hoje em dia faz um trabalho cheio de temas super carregados, morte, sexo, violência. Acho que ele só conseguiu encontrar um jeito de lidar com esses assuntos no trabalho por ter percorrido o caminho contrário. No meu caso, estou fazendo um cemitério de animais, um parque temático. E acho que isso só foi possível por causa da religião libertadora de que tema não enche a barriga do artista. Então é sobre amor, sim. Não depois do amor, antes. Talvez amor pelos animais como representação do amor humano, para ajudar a entender o humano.
GM: “Desde então os assuntos ou figuras que aparecem no trabalho são um presente a mais, como letra de música”. Essa frase da sua resposta confirma a percepção que eu tenho tido do seu trabalho. Assuntos ou figuras que “aparecem” não são o assunto, mas sim a forma que estas figuras passam a assumir junto às outras. O “aparecem” condiz com minha idéia de que você escolhe estas figuras respeitando um fluxo corrente de imagens sem quebrá-lo. Estes assuntos ou figuras são um presente como letra de música, como algo adicional à música em si, como quando passamos a entender a letra depois de ouvir a música no rádio um par de vezes sem prestar muita atenção. O que me leva de novo ao seu gosto por uma escrita falada, como a do (João Carlos) Marinho. Parece que você espera pela palavra recortada e brilhante que “aparece” na conversação geral, no blábláblá do motorista de táxi (olha aí de novo) e a incorpora. Aliás, os trabalhos funcionam um tanto como uma armadilha para estas imagens, para estes animais… Puxa, falei demais e nem toquei no assunto “amor”.
EV: E às vezes é a letra que pesca a gente. Pensei em “Tarado” do Caetano (Veloso) com o Jorge Mautner, a letra é comoção imediata, depois a gente percebe guitarrinhas de luau embalantes, a gente quase junta tudo na música, mas não junta, sempre tem uma coisinha para descobrir. Eu seria muito feliz se conseguisse sempre trabalhar assim, material, figura, letra e música (uma mexendo nos contornos da outra para sempre). Gostei muito que você falou em “respeitar o fluxo de imagens”. Em momentos raros desse troca-troca da forma com o assunto, é possível se sentir trabalhando numa onda caudalosa. O Waly Salomão falou que “o destino dos bons rios é transbordar”. Minhas formas de partida - vasos, abacaxis, bichos de orelhas espigadas - deliram com a possibilidade da escultura crescer, abrir, florescer, se espalhar com vida própria e me atropelar. Mas não transbordo. O artista precisa voltar inteiro dessas corredeiras de imagens, para contar a história.
Sua comparação dessas buscas com meu amor pela “palavra falada recortada e brilhante” é um prato cheio para conversar. Gosto muito de ditongos crescentes, abertos como os vasos. O Marinho encontrou uma graciosidade tremenda escrevendo falas de crianças. Com o vocabulário reduzido da infância ele consegue montar estruturas precisas lindas, com o tal brilho que só um adulto vê. Comecei a ler Marinho aos 30 e virou uma companhia para minha procura do gesto bom e fácil, da fertilidade do aprendiz, do be-a-bá iluminado. E as escolhas dos assuntos das frases do Marinho, dançam valsa com as escolhas das palavras, ele repara em coisinhas corriqueiras, proustianas, invisíveis se não anotadas.
GM: Outra associação que você faz e que me aparece como um valor no trabalho: a fertilidade e o brilho de quem aprendem. Em vários momentos é possível observar boas relações entre uns materiais que podem remeter ao universo escolar ou de uma prática artística iniciante, estes artigos de papelaria que ocupavam um lugar simbólico incontestável em algumas de nossas infâncias, e umas formas que ironicamente, eu acho, resvalam em questões pretensamente sérias. Digo ironicamente, não por achar que a ironia funcione no seu trabalho como objetivo ou estratégia principal (como é o caso do trabalho de tantos outros artistas que acompanho) mas porque é irônico como estes dois mundos reagem entre si quando do resultado final. Há uma troca interessante entre estas duas instâncias. É difícil causar esta faísca sem cair em ironia pré-fabricada. Ocupar o lugar de um agente inábil, ou ingênuo, talvez, mas no sentido de quem se coloca antes da descoberta, daquele que valoriza a experiência prática como algo disparador ou inaugural parece ser uma estratégia recorrente pra você.
EV: Já não sei se entendo o que é ironia, se ando protestando à toa contra ela. Tendo a associar ironia a deboche, paródia ou hipérbato, que não me agradam. Talvez eu não goste da ironia como gesto, me parece um trejeito facilitado. Fui tentar entender rápido o que é ironia, lendo um trecho qualquer do Memórias Póstumas (de Brás Cubas, Machado de Assis). Deu-me a impressão de que ironia ali é uma música de fundo, engraçadíssima, flutuando pelos rumos da história, levando o leitor a desconfiar de tudo. Se ironia é humor, respeito muito, humor é um sistema riquíssimo para filosofar. Se ironia é um gatilho para causar desconfiança, melhor ainda, então aceito que trabalho com ironia.
“Ocupar o lugar de um agente inábil” vai de encontro a esta desconfiança: desconfiar da idéia que já nasce artística, aprovada. Cresci sob o teto da arte conceitual que incentiva(va) os artistas a fazer coisas assertivas. Outro dia brinquei que a Arte Conceitual é como o Antigo Testamento, ou a “Era da Lei”, um período inventado por Deus para ensinar aos homens como viver. Mas agora que estamos vivendo a “Era da Graça”, tendo aprendido a lição temos que administrar a liberdade total. “Ironicamente”, a liberdade é grande demais, opressora e paralisante. Vivendo feliz sob a constante de que o trabalho já nasce informado de que é um trabalho de arte, inventei para mim a função de desinformá-lo, ou me analfabetizar em gugu-dadás, como quem quer que trabalho-filho tenha uma boa infância, cresça forte e saudável. Colocando-me na posição de aprendiz encontro uma posição política do que acredito que é um bom jeito de trabalhar. Mas a política veio através da prática, da busca ilusória pela fertilidade no trabalho. A virgindade dos materiais da prateleira da papelaria, dos lápis com cores que logo serão desordenadas, o viço dos papéis e pincéis novinhos, exalam fertilidade. E o senso comum no entendimento desses materiais como “materiais de arte” é uma avenida larga e arborizada na minha relação com quem vai ver o trabalho.
GM: Se até ironia pode virar trejeito, como evitar que o trabalho passe a funcionar como forma autômata, como estilo? Quando estávamos pensando o projeto para o CCSP, comecei a rascunhar um “trabalho da Erika” na sua frente, como uma estratégia para disparar o processo de criação, e sua reação foi a de se apropriar do que achava interessante ali e levá-lo adiante. Fui capaz de imaginá-lo por conhecer seus procedimentos? Por ter identificado um estilo? Talvez aquele não fosse realmente um trabalho da Erika antes do caminho que você deu a ele… Será que você se apropriou dele, como costuma fazer com toda conversa, e como se apropriou também de nossa conversa?
EV: Não sei se entendi bem o que deveria ser evitado. “forma autômata” é uma forma fora de controle? Frankenstein? Se falarmos sobre a perda de controle sobre percepções e associações que o trabalho poderá ativar etc, estarei na ola do consenso vinde a mim. Ao mesmo tempo, cultivo métodos ilusórios de controle. A recorrência das formas espetadas, abacaxis, são uma anotação sobre minha vontade de que o trabalho cresça emancipado. Vontade de dar pistas de que o trabalho sabe que está aberto, sabe que sobre ele pousarão outros olhos, sabe que vai morar na casa de alguém, perto de um sofá, quem sabe numa reserva técnica enregelada. Esse e outros procedimentos são tentativas de controle ou de fazer um objeto consciente de suas possíveis aventuras. Acho que não era bem disso que você estava falando, mas está relacionado ao projeto para o CCSP, onde estamos tentando brincar com uma “consciência do cubo expositivo / base”, do mesmo jeito que no cemitério várias esculturas interagem com as bases, como é fácil de ver no Burro. No projeto para o CCSP, cuja proposta é interagir com a instituição, foi rápido escolher o café de garrafa térmica como tema, vindo da crença de que a neutralidade, não sei se é neutralidade a palavra, mas a pureza… já sei: a relevância da instituição cultural no funcionamento da arte é ilusória, e que o café é o que há de comum entre instituição, galeria, residência, banco, boteco… Acho que de uma forma ou de outra, defendo que a realidade está mais próxima do que é banal, mas isso é muito assunto.
Sobre o estilo: antes de receber esta sua pergunta, eu estava te escrevendo um e-mail a parte, chamado “a crise”. Falava sobre não me reconhecer em todos os trabalhos do Pet Cemetery. Ora, se a semente da idéia do Cemitério foi a vontade de poder desfilar estilos impunemente, arriscar, contradizer, enfeitar com a dedicação e liberdade que um parente escolhe cor e forma para um túmulo, por que agora o desconforto? Para esta exposição executei esculturas improváveis, formas que você não rabiscaria como meu trabalho, usando como parâmetros me aproximar de associações e materiais que me parecessem atraentes e me afastar o quanto possível da paródia, que é muito tentadora. Esses novos seres - como o São Francisco geométrico de madeira, ou o Avestruz, um tripé bastante masculino - surgiram de vontades marginais, sem contexto aparente dentro do “meu estilo” que entendo como “meu traço”. Se é uma aventura libertadora, é também uma ambição arriscada, de ser reconhecida pelo irreconhecível, dá uma insegurança inerente. Acho que nascemos sob o céu da arte-marca, da repetição que legitima a pesquisa do artista. Então parece que estou pesquisando um traço que incorpore o conjunto dos meus traços possíveis. E acho que tem bastante gente pesquisando isso. Você que fez rapidamente um rabisco com “meu estilo”, o que acha de tudo isso?
Daí você falou em apropriação e pensei que essa coleção de traços/estilos possíveis contém coisas que eu gostaria de fazer (por causa do material, por exemplo) e provavelmente coisas que vi (ou ouvi, li) e que gostaria de fazer também, como um trabalho de fã. Fãs sempre produzem coisas: colagens, coleções, clubes, camisetas, álbuns. Então acho que parte da motivação de abraçar diversas possibilidades no trabalho vem dessa ansiedade de fã de arte. No Pet Cemetery encontrei um jeito muito prazeroso de lidar com essa fome de apropriação que você apontou, quando foram surgindo as esculturas colaborativas. Eu precisava de uma coisa esguia para espetar o Bull Head - que é um bronze batata-doce com chifres de mandioca, para fazê-lo parecer com uma daquelas caveiras de boi espetadas no sertão. Não conseguia imaginar coisa melhor que uma escultura de lata de concreto do Alexandre (da Cunha), então pedi a ele para fazer uma lata para Bull Head. Depois surgiram trabalhos que precisavam da ajuda do Efrain (Almeida), Tiago, Tonico (Lemos Auad), Leda (Catunda). Dentro da ambição de manter o trabalho aberto, atento, acho que a apropriação surge como um bônus.
GM: Aqui talvez fosse o momento em que discutíssemos mais especificamente os trabalhos desta exposição. Mas acho melhor não mais saber sobre eles por esta conversa. Só começar a vê-los, já que agora estão aí, piscando pra gente. Acima de tudo me fica a vontade de saber mais sobre esta idéia semente em que aquele sujeito ingênuo, de que falamos como possibilidade criativa, deu as caras cuidando da decoração de túmulo de parente. Sempre me interessou como o gosto “doméstico” é transposto para estas situações de pesar coletivo. Como ele funciona como uma cola estética para estas celebrações familiares, tornando familiares os ambientes mais fúnebres. E como esta justaposição de elementos que carregam a beleza mais reconhecível são articulados na apropriação destes ambientes, que afinal são públicos. Quem sabe aí esteja outra dimensão poderosa da nossa esfera pública, com que brinquei no texto para o CCSP…
EV: Sem reler seu texto do CCSP, revivo a sensação de que à primeira vista, nas primeiras linhas, não se parece um texto de artes plásticas (assim como as esculturas as vezes não parecem arte?). “Cafezinho” ficou cheio de sonoridades domésticas e literárias que dão forma à informalidade do texto. As palavras curtas e imagens conhecidas, avizinham texto e trabalho, texto e leitor, trabalho e leitor, para em seguida convidar todos a se distanciar. Esta manobra (in)formal é parecida com o jeito que penso nos trabalhos do CCSP e os outros. O cemitério abusa dessa “cola estética” como ponto de partida, tentando encontrar a “cola estética” mediadora do artista arte-vida, ou no meu caso como disse uma vez a Márcia (Fortes), atelier-vida. Você quer começar a falar dos trabalhos? Eu gostaria muito. Você viu o Burro?
GM: Vi o burro na foto. E por alguma razão tenho uma lembrança mais viva agora do desenho do Burro. Acho incrível que os desenhos dos trabalhos já prevejam algumas características físicas ou concretas dos objetos sem que funcionem apenas como projetos.
Mas do burro, gosto da idéia que cria um lugar de percepção para quem se relaciona com ele que parece mencionar com humor aquelas leituras de obra que nos ensinavam na escola, naquelas aulas em que o dedo do professor anda pelos quadros, montando uma narrativa com resposta certa. O “olhar” perfaz um caminho cujo objetivo já está dado desde o início pelo rabo afixado. O que retira do trabalho a pretensão de uma resposta pronta. Para quem gosta de repisar a idéia de trabalho participativo, deve ser um tanto frustrante…
EV: Falei com o Elton (Verzutti) sobre isso, as esculturas ficaram parecidíssimas com os desenhos. Isso foi uma surpresa, já que me gabo de deixar o trabalho se modificar e se acidentar enquanto faço. Aqui vários acidentes estavam roteirizados, uma contradição lucrativa. Acho que a idéia de fazer uma fartura de esculturas ajudou, e fui produzindo quase tudo que tinha desenhado, pensando no (Alexandre) Herchkovitch que disse que só tem uma regra de trabalho: executar tudo o que desenha.
Gostei muito dessa associação do rabo do burro com um percurso predefinido para olhar. Acho que é isso mesmo, uma manipulação anunciada que se auto destrói. Logo, é um trabalho participativo, repiso. Como não seria?

Assista ao vídeo da exposição Aranhas, de Paulo Nenflidio, em cartaz no Galpão Fortes Vilaça até 13 de dezembro de 2008
Watch the video of Paulo Nenflidio’s exhibition Spiders, going on at Galpão Fortes Vilaça until December 13, 2008

Assista ao making of da exposição Verso, de Vik Muniz
Watch to the making of Verso, de new exhibition of Vik Muniz
http://www.youtube.com/results?search_query=vik+muniz%2C+verso&search_type=&aq=f
A artista está em cartaz na South London Gallery com uma grande instalação site-specific.
The artist is now exhibiting at South London Gallery a monumental site-specific installation.
Serviço [Service] - http://www.southlondongallery.org/

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A Fortes Vilaça tem o prazer de apresentar a exposição Pet Cemetery de Erika Verzutti. A mostra transforma o espaço expositivo em um cemitério sem covas, no qual vinte e duas novas esculturas com formas de animais estão sobre pedestais ou dispostas pelo chão. Para Verzutti, o “cemitério” é um “pretexto para exercitar diferentes estilos, refletir sobre a representação escultórica e sobre o uso do bronze, comum às artes e às lápides”.
A artista rompe com as práticas formais ao revelar a estrutura das obras e incorporar acidentes como soldas, riscos, respingos e escorridos. Ao registrar os acidentes do processo criativo, a artista absorve inabilidades e acontecimentos periféricos que seriam neutralizados pelo hábito. Algumas das esculturas expostas, como Egito e Marrakesh, são o desdobramento de uma pesquisa iniciada por Verzutti em 2006, na qual utiliza frutas e legumes como moldes para fundição. Aqui, a estabilidade do bronze é desafiada pela combinação com materiais diversos e menos nobres, como madeira, tricô de lã, porcelana fria, concreto, pedras, entre outros. A artista apropria-se também de alguns objetos utilizados no processo de criação, como pincéis e cavaletes.
Para Verzutti, a diversidade de materiais permitiu a incorporação de trabalhos de outros artistas, gerando cinco obras colaborativas. Leda Catunda constrói - com sua pintura mole - um lago para o sapo de bronze; Efrain Almeida colabora em Infante com um pintinho esculpido em madeira; com Tiago Carneiro da Cunha cria, em cerâmica, uma galinha zumbi; uma escultura de lata e concreto de Alexandre da Cunha se transforma em suporte para o bronze Bull Head e Tonico Lemos Auad cria com pedras de grafite a cabeça para a escultura que representa um cavalo.
Ainda em 2008, a artista participa da mostra When Lives become Form, no MOT – Museum of Contemporary Art de Tóquio, com curadoria de Yuko Hasegawa. Também no Japão, realiza uma residência de dois meses no Tokyo Wonder Site. Em 2007, a primeira monografia de sua obra foi lançada pela editora Cobogó.
[English]
Fortes Vilaça is pleased to present the exhibition Pet Cemetery by Erika Verzutti. The show transforms the exhibition space into a graveless cemetery, in which twenty-two new animal-shaped sculptures are set atop pedestals or arranged on the floor. For Verzutti, the “cemetery” is a “pretext to exercise different styles, reflect on cultural representation and on the use of bronze, common to the arts and to gravestones.”
The artist has broken away from formal practice to reveal the structure of her artworks and incorporate accidents such as welds, scratches, splatters and paint runs. By recording the accidents in her creative process, the artist absorbs inabilities and peripheral happenings that would be neutralized by habit. Some of the sculptures shown, such as Egito [Egypt] and Marrakesh, are the unfolding of an investigation Verzutti began in 2006, when she started using fruits and vegetables as molds for casting metal. Here, the stability of the bronze is diminished by its combination with a variety of less-noble materials, including wool knitting, cold porcelain, stones and concrete. The artist also uses some of the objects employed during her creative process, such as brushes and easels.
For Verzutti, the diversity of materials allowed for the incorporation of artworks by other artists, giving rise to five collaborative works. Leda Catunda has constructed – with her soft painting – a lake for the bronze frog; Efrain Almeida has collaborated in Infante [Infant] with a baby chicken sculpted from wood; Tiago Carneiro da Cunha worked together with the artist to create a zombie chicken in ceramic; a sculpture by Alexandre da Cunha made of tin cans and concrete has been transformed into a support for the bronze Bull Head; and Tonico Lemos Auad has used graphite stones to create a head for the sculpture that represents a horse.
Still in 2008, the artist will be participating in the show Lives become Form, at MOT – Museum of Contemporary Art of Tokyo, curated by Yuko Hasegawa. Also in Japan she will be taking part in a residency of two months at Tokyo Wonder Site. In 2007, the first monograph on her work was released by Cobogó publishers.

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A Fortes Vilaça tem o prazer de apresentar Aranhas, segunda exposição individual de Paulo Nenflídio em São Paulo. Nesta mostra, composta por uma instalação em formato de teia e por três esculturas que têm formas de aranhas, o artista realiza, pela primeira vez, obras cinéticas, explorando os efeitos visuais a partir de movimentos físicos.
Pendurada nas paredes a 1,7 m de distancia do chão, a instalação Teia é uma grande estrutura vazada e irregular que parece flutuar. Composta por fios elétricos e de nylon esticados e sobrepostos, a obra se parece também com veias e conexões neurais. Neste trabalho, Nenflídio mantém seu já característico traço de criação de obras sonoras: equipa a teia com um sensor capaz de captar a proximidade humana e acionar a emissão de diferentes tipos de sons harmônicos e agudos, que ficam no limite do audível. O resultado é uma massa sonora que se parece com sons de conexões de fax e rede dial-up.
Próximas da Teia, estão dispostas as Aranhas. Rompendo com qualquer condição estática, o objetivo destas esculturas é o constante movimento. São obras abertas que se reinventam a cada momento, assim como as obras do artista holandês Theo Jansen – grande referência para Nenflídio.
As esculturas são “low tech”, feitas com mdf, componentes elétricos, conduíte ou pvc, motores, fontes de alimentação, sensores e fitas-adesivas pretas, sendo capazes de andar ou subir pela parede por até trinta segundos dentro de um espaço pré-delimitado. Os sensores estão situados em seus “olhos” e, ao detectar a presença do público, disparam o movimento de suas patas. Fios que ligam as aranhas a pequenas fontes de tensão, atuam como ramificações da instalação teia, são fios que interligam todas as obras.
Para Nenflídio, “as obras se relacionam mais com a Cibernética do que com a Cinética, pois são autômatos que extrapolam a música automática, todas as obras juntas formam uma composição sonora”. Em todos os trabalhos, se efetiva a proposta central da poética do artista, a interação/participação do público com a obra de arte.
Em 2007, Paulo Nenflídio participou da mostra Panorama, no MAM – Museu de Arte Moderna de São Paulo, em 2006 esteve na mostra Geração da Virada no Instituto Tomie Ohtake. O artista foi um dos ganhadores da quinta edição do Prêmio Sérgio Motta de Arte e Tecnologia em 2005 e foi contemplado com a bolsa Pampulha em 2004.
[English]
Fortes Vilaça is pleased to present Aranhas [Spiders], Paulo Nenflídio’s second solo show in São Paulo. In this exhibition, consisting of an installation entitled Teia [Web] in the form of a spider’s web along with three spider-shaped sculptures, the artist presents kinetic works, for the first time, exploring visual effects based on physical movements.
Hanging from the walls at a height of 1.7 m, Teia is a large, open and irregular structure that seems to hover in the air. Composed of stretched and overlain electrical wires and nylon line, this artwork also looks like veins or neural connections. In this work Nenflídio has maintained his characteristic use of sound: he has equipped the web with a device able to sense the viewer’s proximity, activating the emission of different kinds of harmonic and high-pitched sounds, at the threshold of audibility. This results in a jumble of sounds resembling the noise of a fax machine or Internet dial-up connection.
The Aranhas are right nearby. These sculptures are intended to avoid any static condition, remaining in constant movement. They are open artworks that are reinvented at each moment, like the works by Dutch artist Theo Jansen, a key reference for Nenflídio.
The sculptures are low-tech, made of fiberboard, electrical components, conduit or PVC pipes, motors, power sources, sensors and black electrical tape. They are able to walk about or climb the wall for up to thirty seconds in a predefined space. Sensors situated in their “eyes” detect the presence of the spectator and set the spiders’ legs into movement. Wires that connect the spiders to small power sources act as ramifications of the Teia, interconnecting the various pieces of the set.
For Nenflídio, “the artworks are related more with cybernetics than with kinetics, as they are automatons that create automatic music, as all the pieces together form a sonorous composition.” The set effectively realizes a central aim of this artist: the interaction/participation of the public with the work of art.
In 2007, Paulo Nenflídio participated in the show Panorama, no MAM – Museu de Arte Moderna de São Paulo; in 2006 he took part in the exhibition Geração da Virada [The Turning-Point Generation] at the Instituto Tomie Ohtake. He received an award from the fifth edition of the Sérgio Motta Prize in Art and Technology, in 2005, and was conferred the Pampulha Grant in 2004.

Bem-vindo, 2008 | HD Digital Video, loop
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A Galeria Fortes Vilaça tem o prazer de apresentar Quase Cheio, Quase Vazio de Sara Ramo. Em sua segunda exposição individual na galeria, a artista apresenta obras feitas em suportes variados como colagens, projeções de vídeos, de slides, instalação e fotografia.
Quase Cheio, Quase Vazio se relaciona com as diferentes formas de percepção, o que, de um ponto de vista, pode estar quase cheio, de outro, pode estar quase vazio. Para Ramo “esta ambigüidade cotidiana muitas vezes se define para um lado ou outro, pela predisposição com que abordamos determinado tema”. As obras, concebidas especialmente para a mostra, discutem também os processos de mudança através da potência expressiva de determinados objetos.
Na única instalação da exposição, Para Levar, Ramo forra completamente com papelão um depósito sob a escada da galeria, criando uma enorme caixa. Com a porta do lugar entreaberta e uma pequena luz interna, o espectador é convidado a entrar no espaço embora o lugar não tenha a altura suficiente para um adulto ficar em pé. A artista explora a caixa enquanto objeto simbólico de uma mudança física e espacial.
A série de colagens Por Todos os Cantos, feitas com papéis de revistas, é disposta em uma mesma parede. Nestas obras, a artista une duas vertentes de seu trabalho com colagem: o uso de imagens prontas - como na série Nova Atlântida (2004) - e as composições abstratas, anteriormente exploradas nas colagens Embolar (2005 – 2008). Ramo sobrepõe fotografias de chão, cantos, portas, mesas, paredes e pedras, inventando novos espaços nos quais dentro e fora se confundem.
Em um dos três vídeos expostos, a própria artista aparece retirando inúmeros objetos cotidianos e inusitados como serrote, cobertor, luminária, aspirador de pó, aparelho de telefone, etc., de dentro de uma mala que parece ter um fundo infinito. Depois de retirar tudo, Ramo entra dentro da mala e fecha sua tampa. Em Bem Vindo, diversas cenas de diferentes portas surpreendem o espectador a cada momento. Quase Cheio, Quase Vazio, que dá título à exposição, é composto por duas projeções sincronizadas. Neste vídeo, Ramo re-visita o bairro em que passou parte da sua infância em Madri. No local vazio, de ruas estreitas e paredes com tijolos à vista, uma bola envolta com saco bolha, pequenos flocos de isopor e uma caixa se revezam entre os planos. “Eles pertencem ao mesmo grupo, (caixa, proteção de isopor e objeto) mas neste labirinto que proponho, eles nunca se encontram embora estejam no mesmo limbo”, afirma a artista.
Para completar a mostra, Sara Ramo apresenta Ocupação, uma série de slides diferentes - projetados repetidamente - de fotos feitas a partir dos cômodos vazios de uma casa de bonecas.
Quase Cheio, Quase Vazio confirma a maneira singular com que a artista transita entre linguagens diversas e sua coesão e delicadeza ao abordar temas concretos de uma forma onírica.
[English]
Galeria Fortes Vilaça is pleased to present Quase Cheio, Quase Vazio [Nearly Full, Nearly Empty] by Sara Ramo. In her second solo show at the gallery, the artist presents artworks made using various supports including collage, video and slide projection, installation and photography.
Quase Cheio, Quase Vazio concerns the different forms of perception, which, depending on the point of view, can be nearly full, or nearly empty. For Ramo “this day-to-day ambiguity is often defined one way or the other according to our predisposition for approaching a given theme”. The artworks, conceived especially for the show, also discuss the processes of change through the expressive power of determined objects.
In the show’s only installation, Para Levar [To Go], Ramo has taken over a storeroom under the gallery’s staircase and completely lined it with cardboard to create a huge box. Its partly opened door and the small light inside invites the viewer to enter, even though the space is not high enough for an adult to stand up in. The artist explores the box as an object symbolizing physical and spatial change.
The series of collages Por Todos os Cantos [All Over the Place], made with images from magazines, is arranged on one of the walls. In these artworks, the artist brings together two trends of her work with collage: the use of ready-made images – as in the series Nova Atlântida (2004) – and her abstract compositions, previously explored in the collages of the series Embolar (2005–2008). In the collages, Ramo overlays photographs of floors, corners, doors, tables, walls and stones, inventing new spaces where the notion of inside and outside is confused.
In one of the three videos shown, the artist is seen next to a suitcase from which she takes a saw, a blanket, a lamp, a vacuum cleaner, a telephone, etc., as though there were no end to the space inside. After taking everything out, Ramo gets into the suitcase and closes the lid. In Bem Vindo [Welcome], various scenes of different doors surprise the viewer at every moment. The artwork Quase Cheio, Quase Vazio, from which the exhibition itself gets its title, consists of two synchronized projections. In this video, Ramo revisits the district in Madrid where she spent part of her childhood. Along empty, narrow streets, a ball inside a bubble-wrap bag, Styrofoam packing peanuts and a box alternate among the scenes. “They belong to the same group (box, Styrofoam protection and object) in this labyrinth that I propose, they never meet each other though they are in the same limbo,” the artist states.
To complete the show, Sara Ramo presents Ocupação [Occupation], a series of different slides – projected repeatedly – of photographs depicting the empty rooms of a dollhouse.
Quase Cheio, Quase Vazio confirms the singular way in which the artist transits between diverse languages, using a cohesive and delicate approach to deal with concrete themes in an oneiric way.