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Barrão
A Galeria Fortes Vilaça tem o prazer de apresentar a exposição do artista carioca Barrão. Desde 1992 sem expor em São Paulo, Barrão apresenta dez esculturas inéditas construÃdas a partir de um processo de colagem de fragmentos de objetos de louça.
O artista começou a trabalhar com apropriações de objetos cotidianos nos anos 1980. Desde então, já utilizou eletrodomésticos, como geladeiras, batedeiras e televisões e, mais recentemente, passou a criar esculturas com louças decorativas; sempre mantendo o interesse de subverter - com humor e ironia - o sentido original dos objetos.
Barrão agrupa os pedaços de coisas, colando-os com durepox e deixando a emenda à vista na escultura finalizada. Como aponta Luis Camilo Osório, “alguns pedaços podem sugerir novas formatações e o resultado surge dos acidentes do percurso – propósito e acaso caminham juntosâ€. As obras são orientadas por questões escultóricas clássicas, como a preocupação volumétrica. Em todas as esculturas tem-se um volume coeso central do qual partem as extremidades.
Dando preferência a objetos do imaginário popular, usados e antigos, as esculturas são carregadas de referência pop e kitsch. Para Barrão, os objetos dos quais se apropria não seguem qualquer lógica hierárquica. Seu interesse é focado nas formas, cores e tamanhos, assim, um elefante, uma caveira, um buda, uma xÃcara, um bule ou um gatinho, pertencem à mesma classificação.
Em DelÃcia Tropical, uma série de xÃcaras, vasinhos, potes e pedaços de peças decorativas com frutas estampadas, equilibram-se formando um colorido e estreito totem, que alcança a altura de 1,90. Em sua ponta há quatro pequenos papagaios de louça. Ninfas Derramadas é formada por pequenas esculturas de deusas gregas com os bustos desnudos dispostas de cabeça para baixo. As delicadas deusas formam uma espécie de cauda branca para o resto do acúmulo de fragmentos de xÃcaras azuis que completa a obra.
Outro “ajuntamento imprevisÃvel†é visto em Hospedeiros, em que um cachorro de louça tem sua cabeça cortada e separada de seu corpo e, entre as partes, o artista cola uma série de outros objetos prontos, como um elefante, um bule e um cabo de guarda-chuva.
É possÃvel identificar em suas obras um espÃrito curioso que se diverte ao desmontar objetos, para depois grudá-los de forma a estabelecer uma nova ordem de funcionamento para eles. Deixando de lado a utilidade doméstica ou decorativa destes objetos, Barrão desordena e destrói, para depois construir suas obras.
Barrão
Galeria Fortes Vilaça is pleased to present the exhibition by Rio de Janeiro artist Barrão. This show, Barrão’s first in São Paulo since 1992, features ten new sculptures constructed through a process of gluing together the fragments of porcelain objects.
The artist began to work with appropriations of everyday objects in the 1980s. Since then, he has used household appliances, such as refrigerators, egg beaters and televisions, and more recently has begun to create sculptures with decorative porcelain, always subverting – with humor and irony – the original meaning of the objects.
Barrão groups pieces of the things he appropriates, gluing them together with epoxy resin and leaving the glued seams visible in the finished sculpture. As Luis Camilo Osório has stated, “some of the pieces can suggest new formattings, and the result arises from chance happenings along the way – purposeful and random acts go hand-in-hand.†The artworks are guided by classic sculptural questions, such as the concern for volumetrics. In all the sculptures there is a central cohesive volume from which the extremities extend.
Generally made with old and used commonplace objects, the sculptures are loaded with pop and kitsch references. There is no logical hierarchy among the objects; Barrão’s interest is focused on their forms, colors and sizes, and therefore an elephant, a skull, a Buddha, a teacup, a teapot or a little cat belong to the same classification.
In DelÃcia Tropical [Tropical Delicacy], a series of teacups, little vases, pots and pieces of decorative items with stamped fruit patterns are balanced to create a colorful and narrow 1.9-meter-high totem pole. At its top are four little ceramic parrots. Ninfas Derramadas [Spilled Nymphs] is made up of small sculptures of Greek goddesses with bare breasts arranged upside down. The delicate goddesses form a kind of white tail for the rest of the work, consisting of an accumulation of fragments of blue jugs and teacups.
Another “unforeseen conjoinment†is seen in Hospedeiros [Hosts], in which a ceramic dog has its head cut off and separated from its body, to which the artist glues a series of other ready-made objects, such as an elephant, a teapot and an umbrella handle.
His works evince a curious spirit that enjoys taking objects apart and then sticking them together in a way that confers a new sort of operation to them. With no regard for the household use or decorative function of these objects, Barrão disorders and destroys them, to then construct his artworks from their fragments.