07.10.2008
postado por: Fortes Vilaça

Bem-vindo, 2008 | HD Digital Video, loopÂ
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A Galeria Fortes Vilaça tem o prazer de apresentar Quase Cheio, Quase Vazio de Sara Ramo. Em sua segunda exposição individual na galeria, a artista apresenta obras feitas em suportes variados como colagens, projeções de vÃdeos, de slides, instalação e fotografia.
Quase Cheio, Quase Vazio se relaciona com as diferentes formas de percepção, o que, de um ponto de vista, pode estar quase cheio, de outro, pode estar quase vazio. Para Ramo “esta ambigüidade cotidiana muitas vezes se define para um lado ou outro, pela predisposição com que abordamos determinado temaâ€. As obras, concebidas especialmente para a mostra, discutem também os processos de mudança através da potência expressiva de determinados objetos.
Na única instalação da exposição, Para Levar, Ramo forra completamente com papelão um depósito sob a escada da galeria, criando uma enorme caixa. Com a porta do lugar entreaberta e uma pequena luz interna, o espectador é convidado a entrar no espaço embora o lugar não tenha a altura suficiente para um adulto ficar em pé. A artista explora a caixa enquanto objeto simbólico de uma mudança fÃsica e espacial.
A série de colagens Por Todos os Cantos, feitas com papéis de revistas, é disposta em uma mesma parede. Nestas obras, a artista une duas vertentes de seu trabalho com colagem: o uso de imagens prontas - como na série Nova Atlântida (2004) - e as composições abstratas, anteriormente exploradas nas colagens Embolar (2005 – 2008). Ramo sobrepõe fotografias de chão, cantos, portas, mesas, paredes e pedras, inventando novos espaços nos quais dentro e fora se confundem.
Em um dos três vÃdeos expostos, a própria artista aparece retirando inúmeros objetos cotidianos e inusitados como serrote, cobertor, luminária, aspirador de pó, aparelho de telefone, etc., de dentro de uma mala que parece ter um fundo infinito. Depois de retirar tudo, Ramo entra dentro da mala e fecha sua tampa. Em Bem Vindo, diversas cenas de diferentes portas surpreendem o espectador a cada momento. Quase Cheio, Quase Vazio, que dá tÃtulo à exposição, é composto por duas projeções sincronizadas. Neste vÃdeo, Ramo re-visita o bairro em que passou parte da sua infância em Madri. No local vazio, de ruas estreitas e paredes com tijolos à vista, uma bola envolta com saco bolha, pequenos flocos de isopor e uma caixa se revezam entre os planos. “Eles pertencem ao mesmo grupo, (caixa, proteção de isopor e objeto) mas neste labirinto que proponho, eles nunca se encontram embora estejam no mesmo limboâ€, afirma a artista.
Para completar a mostra, Sara Ramo apresenta Ocupação, uma série de slides diferentes - projetados repetidamente - de fotos feitas a partir dos cômodos vazios de uma casa de bonecas. Â
Quase Cheio, Quase Vazio confirma a maneira singular com que a artista transita entre linguagens diversas e sua coesão e delicadeza ao abordar temas concretos de uma forma onÃrica.
[English]
Galeria Fortes Vilaça is pleased to present Quase Cheio, Quase Vazio [Nearly Full, Nearly Empty] by Sara Ramo. In her second solo show at the gallery, the artist presents artworks made using various supports including collage, video and slide projection, installation and photography.
Quase Cheio, Quase Vazio concerns the different forms of perception, which, depending on the point of view, can be nearly full, or nearly empty. For Ramo “this day-to-day ambiguity is often defined one way or the other according to our predisposition for approaching a given themeâ€. The artworks, conceived especially for the show, also discuss the processes of change through the expressive power of determined objects.
In the show’s only installation, Para Levar [To Go], Ramo has taken over a storeroom under the gallery’s staircase and completely lined it with cardboard to create a huge box. Its partly opened door and the small light inside invites the viewer to enter, even though the space is not high enough for an adult to stand up in. The artist explores the box as an object symbolizing physical and spatial change.
The series of collages Por Todos os Cantos [All Over the Place], made with images from magazines, is arranged on one of the walls. In these artworks, the artist brings together two trends of her work with collage: the use of ready-made images – as in the series Nova Atlântida (2004) – and her abstract compositions, previously explored in the collages of the series Embolar (2005–2008). In the collages, Ramo overlays photographs of floors, corners, doors, tables, walls and stones, inventing new spaces where the notion of inside and outside is confused.
In one of the three videos shown, the artist is seen next to a suitcase from which she takes a saw, a blanket, a lamp, a vacuum cleaner, a telephone, etc., as though there were no end to the space inside. After taking everything out, Ramo gets into the suitcase and closes the lid. In Bem Vindo [Welcome], various scenes of different doors surprise the viewer at every moment. The artwork Quase Cheio, Quase Vazio, from which the exhibition itself gets its title, consists of two synchronized projections. In this video, Ramo revisits the district in Madrid where she spent part of her childhood. Along empty, narrow streets, a ball inside a bubble-wrap bag, Styrofoam packing peanuts and a box alternate among the scenes. “They belong to the same group (box, Styrofoam protection and object) in this labyrinth that I propose, they never meet each other though they are in the same limbo,†the artist states.
To complete the show, Sara Ramo presents Ocupação [Occupation], a series of different slides – projected repeatedly – of photographs depicting the empty rooms of a dollhouse.
Quase Cheio, Quase Vazio confirms the singular way in which the artist transits between diverse languages, using a cohesive and delicate approach to deal with concrete themes in an oneiric way.