Flatland, 2012 (obra em
processo)
Técnica mista sobre
tela
305 x 914 cm
Foto: Rony Maltz
Temos o prazer de apresentar no Galpão
Fortes Vilaça, Flatland, exposição de obras inéditas de Janaina Tschäpe. A artista alemã/brasileira, residente em NY, mostra uma pintura de
escala monumental especialmente criada para o espaço e uma série de pinturas
sobre papel. O título da mostra é uma referência ao romance homônimo do inglês
Edwin Abbot (1838-1926).
Flatland também é o título
da grande tela/mural de 9 metros de comprimento que a artista apresenta na
exposição. Tschäpe introduz novas geometrias nesta tela predominantemente azul,
concebida como um diálogo entre as repetições e irregularidade das formas - uma
espécie de discussão entre quadrados e triângulos - lutando com a tinta que
escorre, e ao mesmo tempo usando a linha da tinta escorrida como próximo
quadrado e campo de cor. Sempre opondo o
acaso ao premeditado, a artista produz uma meditação abstrata sobre as relações
entre a natureza e a matemática, compondo um horizonte nostálgico.
"Imagine uma grande folha de
papel onde linhas retas, triângulos, quadrados, pentágonos, hexágonos, e outras
figuras, ao invés de ficarem fixas em seus lugares, se movimentassem
livremente, dentro ou na superfície, mas sem o poder de se levantarem ou
afundarem, como sombras - só que rígidas e com bordas luminosas - você terá
então uma noção bem clara do meu país e seus habitantes. Alguns anos atrás, eu teria
dito; "meu universo": mas agora minha mente se abriu para uma visão mais ampla
das coisas." [Tradução livre de trecho de Flatland: A Romance of Many Dimensions, traduzido no Brasil como Planolândia: Um Romance de Muitas Dimensões de Edwin Abbot]
Na série de pinturas sobre
papel, Janaina usa uma paleta de cor mais vibrante e variada, porém, as mesmas
formas geométricas presentes na grande tela aparecem agora isoladas. No jogo de
contrastes entre cor e forma, no encontro entre as formas, podemos observar a
sutileza de sua poética. Formas se tornam criaturas que habitam um universo fantástico.
Como pequenas células, que contém todo potencial de vida, estas pinturas
funcionam como metonímia para a compreensão do mundo que a artista quer
alcançar.
Janaina Tschäpe nasceu em Munich, Alemanha
em 1973. Entre suas
exposições individuais destacam-se Quimera no IMMA - Irish
Museum of Modern Art, 2008; em 2009 a Trienal do Centro Internacional de Fotografia, Nova
York e Museu de Arte Kasama Nichido, Japão. Já
participou de exposições coletivas no MAC USP, São Paulo; MAM, Rio de Janeiro; LiShui Museum of Photography,
China; New Museum, Nova York; Guggenheim Museum, New York entre outras. Sua obra está em importantes coleções tais como Itaú Cultural, São Paulo,
Brasil; Moderna Museet, Stockholm, Suécia; Inhotim Centro de Arte Contemporânea,
Minas Gerais, Brasil; Centre Pompidou, Paris, França Museu Nacional Centro de
Arte Reina Sophia, Madrid, Espanha.